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Foto ilustrativa: Pixabay

Ufes vai mapear presença do novo coronavírus no esgoto

Um projeto do Departamento de Engenharia Ambiental da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) vai monitorar a presença de fragmentos genéticos do novo coronavírus na rede de esgoto do Espírito Santo. A proposta de estudo foi apresentada na reunião virtual da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, realizada na manhã da última terça-feira (18).

O microbiólogo e coordenador do Laboratório de Análises do Centro de Pesquisa e Inovação e Desenvolvimento (CPID) da instituição, Sérvio Túlio Alves Cassini, explicou que está sendo replicada tecnologia já utilizada com sucesso por holandeses e australianos.

Trata-se de análises moleculares realizadas a partir do DNA (características genéticas) do novo coronavírus. Se a presença do material for muito grande no esgoto de um determinado bairro indicará que a localidade tem muitas pessoas infectadas.

Segundo ele, na Holanda e na Austrália há muito tempo já é feito o monitoramento da composição biológica do esgoto para avaliar a eficácia de políticas públicas de combate a doenças.

Otimização de testes

O especialista afirmou que, quando surgiu o Sars-Cov-02 (vírus da Covid-19), esses países saíram na frente no mapeamento de traços genéticos por meio de análise de rejeitos lançados na rede pública.
Esse know-how possibilitou direcionar a realização de testagens da população nas regiões mais afetadas, otimizando resultados e diminuindo gastos com a compra de kits.

“A presença do material genético permite inferir a carga viral presente no esgoto e daí o nível de infestação na população pela Covid-19 e outras doenças. Os holandeses denominam a técnica de epidemiologia com base no esgoto”, acrescentou Cassini.

Ele disse ainda que outros países já fazem esse tipo de estudo para saber se uma região tem grande número de pessoas usando entorpecentes. “Queremos aprender a utilizar essa tecnologia que, além da Covid-19, poderá ser usada também para detectar no esgoto traços genéticos de outros causadores de doenças, como o rotavírus, que provoca a diarréia infantil”, afirmou.

Sérvio Cassini enfatizou que o esgoto contém fragmentos de praticamente tudo o que passa pelo organismo humano, o que o torna uma ferramenta em potencial para implementar e avaliar a eficácia de políticas públicas no combate a várias doenças.

Resistência

O pesquisador pediu apoio da Comissão de Saúde para sensibilizar hospitais e empresas sobre a importância da pesquisa, que deverá ser iniciada ainda esta semana pela Ufes.

“Está havendo resistência de algumas pessoas que comandam essas instituições no sentido de permitir o acesso ao esgoto despejado na rede pública”, relatou.

Comissão de Saúde é presidida por Doutor Hércules. Foto: Leonardo Duarte

O professor esclareceu que o objetivo dos estudos não é fazer denúncia contra nenhuma instituição específica, mas mapear para o governo estadual o grau de contaminação por Covid 19.

Conforme explicou, as primeiras análises serão feitas inicialmente na Grande Vitória e os resultados devem estar disponíveis no prazo de 30 a 60 dias. Os estudos, que contam com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), deverão ser estendidos para o interior capixaba. Os dados poderão ser averiguados pela população por meio de aplicativo.

Reunião com secretário

Os deputados Doutor Hércules (MDB) e Dr. Emílio Mameri (PSDB), presidente e vice da Comissão de Saúde, anunciaram que vão intermediar uma reunião entre os pesquisadores e o secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes.

No encontro, em data a ser definida, será exposto o problema sobre a resistência de alguns setores no sentido de liberar o acesso para a coleta de amostras de esgoto.

“Queremos que o secretário tome uma medida, pois isso dificulta muito a realização dessa pesquisa que é muito importante no enfrentamento dessa pandemia”, disse Doutor Hércules.

A reunião contou ainda com a participação do professor do Departamento de Engenharia Elétrica da Ufes Marcelo Segatto, que integra a equipe liderada por Sérvio Cassini para o mapeamento do grau de contaminação dos capixabas por Covid-19 com base em amostras de esgoto.

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