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Quem tem direito à literatura?

O demônio e suas conveniências. A cada época, ocupa, oportunamente, um determinado fazer, um dado vestir, etnias e traços específicos. Porém, desde sua invenção, foi intrinsicamente forjado e talhado para ser o outro dos homens que o criaram: o demônio é a mulher e também é os saberes que desmascaram seus criadores.

Aonde mais, então, há de habitar o demônio dos dias de hoje, senão, mais uma vez, no conhecimento? Me refiro, especificamente, ao conhecimento que deve ser aprendido/lido: o saber pensar, de maneira autônoma e crítica, o saber gravado nos livros. Porém, não é preciso queimar livros quando se convence boa parte da população a não querer ler.

Nunca antes, no Brasil, vivemos um período de tamanha expansão do acesso ao ensino superior quanto o iniciado após o ano de 2002. Nunca antes na história do nosso país existiram tantos movimentos e ativismos reivindicando direitos e cobrando deveres. Nunca antes, então por que agora? Haverá retaliação.

Mais uma vez, como sempre foi e desde muito antes do Brasil ser Brasil, as peças da história são continuamente manipuladas por aqueles que se privilegiam da fome do corpo que assola boa parte da população e que impede que surja essa outra fome: a fome do “por que”. Por que não há escola para mim? Por que não chegarei à universidade? Por que a maioria dos políticos são homens brancos se a maioria da população é negra e mulher?

Eles nunca vão nos responder. Ao olhar a história, perceba: o diabo é a resposta. E um cristão/eleitor – obediente e submisso – não há de querer andar com esse povo de ideias, não é mesmo? Os que contam com a ignorância em massa deixam claro qual o castigo destinado àqueles que comem a maçã proibida, mas se mesmo assim você decidir pagar o preço moral de se libertar e aprender a pensar por si – não há saída: a maçã/livro será cara demais e você não poderá comprá-la.

Seguimos morrendo de fome. De todas elas. E o diabo conveniente segue ocupando todos os lugares que nos levariam, obviamente, não ao paraíso cristão/fictício, mas a um estado democrático de direito aqui mesmo na terra. Sendo esse o único estado de graça que teria o meu mais sincero e fiel Amém.

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