DiaaDiaES.com.br
Foto: Prostooleh/Freepik

Psicoterapia: o que você precisa saber

ARTIGO: Thaís Rangel Damasceno é psicóloga, psicoterapeuta, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental. Servidora pública na rede SUS.

 

Nesta quinta-feira, dia 27 de agosto, comemora-se o dia do psicólogo, data esta, escolhida em alusão à Lei 4.119, sancionada neste mesmo dia no ano de 1962, regulamentando a profissão de psicólogo no Brasil.

A psicologia é uma ciência que estuda o comportamento humano e seus processos mentais. É um campo de dispersão por ter diversos focos, contudo, o objeto de estudo é o ser humano em suas múltiplas possibilidades; individuais e coletivas.

Dessa forma, o campo de atuação é diverso. Temos psicólogos nas escolas, clínicas, hospitais, sistema jurídico e prisional, no esporte, empresas, ONG´s, ensino superior, assistência social, centro de formação de condutores, entre outros. É provável que em dado momento da vida o indivíduo perpasse pelo serviço de um psicólogo.

Entretanto, mesmo com toda a diversidade de campo de atuação, ainda hoje é comum que a maioria das pessoas referencie a profissão na atuação clínica. Muitos associam a imagem do psicólogo somente ao modelo tradicional que trabalha no consultório, escuta e faz pontuações, afinal, a história da psicologia tem suas raízes no modelo médico, de observar e compreender para posteriormente intervir.

Bem, mesmo sendo a clínica a área mais conhecida dentre as múltiplas facetas da psicologia, existem alguns mitos, equívocos e desconhecimentos que permeiam essa área. E é sobre esses aspectos que vamos conversar hoje.

Já de início, é bom esclarecer que psicólogo não é médico, logo, não prescreve medicamentos, contudo, em alguns casos, quando necessário, o encaminhamento é realizado ao médico psiquiatra sendo feito um trabalho multidisciplinar. Remédio combinado com terapia. 

Mas então, como funciona a psicoterapia? A psicoterapia é um processo que permite resultados comprovados na superação de diversas situações adversas da vida. É antes de tudo, uma relação (profissional). Um encontro, necessário para estabelecer uma interação segura e confiável. Interação esta, que pode não se estabelecer com o primeiro profissional que você procurar, e tudo bem, isso não impede que esse “encaixe” aconteça com outro. 

A psicologia é o espaço das palavras, da escuta, do cuidado e do amparo.  Contudo, fazer terapia é muito mais do que falar com alguém sobre problemas ou dificuldades (para isto temos os amigos).

O psicólogo utiliza técnicas específicas para auxiliar o sujeito a descobrir as suas necessidades, a aceitar as suas emoções, mesmo aquelas que procura evitar, em vez de se deixar dominar por elas, fomentando a autonomia. E veja bem, nem sempre isso é agradável, mas é parte do processo.

É importante lembrar que o processo psicoterapêutico é colaborativo, assim, psicólogo e paciente continuamente identificam problemas, definem objetivos, e alteram os planos de tratamento. 

Ah, mas psicólogo é coisa de rico! Não, mas já foi. Historicamente só quem tinha dinheiro suficiente poderia usufruir desse serviço. Contudo, com a evolução da psicologia e o desenvolvimento da classe, hoje, a situação é diferente. O valor da psicoterapia varia de acordo com a região e a qualificação do profissional.

Existem profissionais que atendem com valores diferenciados e personalizados para seus pacientes, chamado de “social”, valor este, acordado de modo a ser compatível com as possibilidades do paciente. Temos ainda, as clínicas escolas que funcionam vinculadas as Universidades e oferecem o serviço gratuitamente ou com um valor simbólico. E claro, existem os convênios e planos de saúde, inclusive o SUS.

Terapia ajuda todo mundo! Não tem contraindicação, porém, é mais importante para indivíduos que sofrem de algum transtorno, quem está passando por momentos difíceis, quem não está conseguindo lidar com alguma situação específica na sua vida. Auxilia quem não está conseguindo realizar as suas tarefas cotidianas, pessoas que desejam mudar algo em si, e também àquelas, que procuram o autoconhecimento.

Não precisa ser necessariamente algo grave, você não é fraco, fresco ou “louco” porque procura um psicólogo. 

Todo sofrimento importa! A sua saúde mental importa. Reconhecer que precisa de ajuda e enfrentar aquilo que dói, não condiz com a definição de fraqueza. Coragem, sim, eu diria.

Thaís Rangel Damasceno é psicóloga. Foto: Acervo pessoal
Carregando....
%d blogueiros gostam disto: