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Dirty Dancing - Ritmo Quente. Foto: Reprodução

Para todos os corpos: a dança

Existem corpos que são permitidos de dançar. Ao som da música, podem criar arabescos no ar com seus braços e pernas. Podem deslocar o vento com seus movimentos. Podem sustentar-se em saltos altos como se dessem à luz a uma nova qualidade de ser – fluido e feito de ângulos. Intrigante e hipnotizador.

Tamanho poder sobre si mesmo: ao dançar, controlamos nossos pensamentos ao ponto dos passos ganharem forma sem nenhum comando racional. O corpo bebendo direto da fonte do inconsciente e distribuindo o profundo e o abstrato como espetáculo.

Tamanho poder sobre os outros: um corpo que dança se transforma em ímã de desejo, inveja, admiração, deslumbramento. É o feitiço encarnado.

Dirty Dancing – Ritmo Quente. Foto: Reprodução

Um corpo que dança e seduz para si, para a continuação do seu próprio prazer, é mais poderoso do que um corpo em batalha que derrota e subjuga para o gozo e a glória alheios.

Existem muitos corpos que são proibidos de dançar. O corpo da pessoa pobre tem dono e sua centelha de vida é destinada, somente, ao trabalho e a produção. Quando, de teimoso, o pobre dança, o faz ao som da música de sirene das viaturas que protegem os outros corpos – aqueles poucos que repousam à sombra do suor dos muitos.

Um corpo de mulher. Um corpo gordo. Um corpo velho. Um corpo que depende da acessibilidade que nunca chega. Um corpo marcado por bisturi. Para todos os corpos: a dança. Livre do lucro. Despida da vergonha. Só o puro, simples e belo poder sobre si mesmo e sobre a carne e os ossos que habitamos e que não nos deixam governar.

Se cada corpo fosse um país livre, haveríamos de dançar ao som dos hinos nacionais. E as armas e as artes da guerra seriam a música, o ritmo, a coreografia e a sedução.

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