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sexta-feira - 20 de setembro de 2019
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Guerrilha do Caparaó: produtores encontram materiais que podem datar da década de 1960

Uma descoberta da década de 1960. Objetos que podem retratar cenas de uma das tocas utilizadas por guerrilheiros para esconder equipamentos e mantimentos durante a ditadura. A suspeita é que o achado dos moradores de Iúna, na região de São João do Príncipe – que foi cenário da Guerrilha do Caparaó -, pertencia aos integrantes deste movimento.

Por conta dos relatos daquela época, muita curiosidade e mitos permeiam essa região. “Há muita lenda sobre a guerrilha. Muita coisa que se comenta sobre a guerrilha é fruto da tradição oral. Os meninos da época, ficaram curiosos e agora que são adultos resolveram tentar achar as tais tocas e uma delas teria sido encontrada na região onde era o sítio dos cabritos”, conta o jornalista e escritor, José Caldas.

Os meninos a quem se refere Caldas são os irmãos Amós e Emílio Horst. Foram eles quem perceberam irregularidades do terreno e contagiados pela curiosidade e mistérios escondidos do período, encontraram o que suspeitam ser a primeira toca cavada por guerrilheiros no Caparaó.

Foram encontrados no local, um resto de manta térmica, remédios para estômago e um “líquido estranho em uma garrafa. Esse líquido é o que parece ser a grande chave da questão”, conta Caldas. A suspeita é de que seja um óleo antioxidante que se passa em fuzis. Armas não foram encontradas nesta toca.

A descoberta foi feita em uma propriedade privada dentro dos limites do Parque Nacional do Caparaó. A administração do parque, apesar de não ter sido notificada oficialmente sobre o caso, confirma os relatos e informou que diante da possível descoberta vai encaminhar uma equipe ao local nesta segunda feira (06).

A administração alertou ainda sobre a necessidade de informar ao parque sempre que forem feitas pesquisas ou estudos dentro dos limites da reserva.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) já está com uma visita marcada ao local no dia 16 de setembro. De acordo com Caldas, caso as suspeitas sejam confirmadas, o município de Iúna pode ganhar um novo eixo econômico voltado para o turismo histórico cultural. “O interesse deles é de valor cultural histórico e eles querem transformar isso em benefício para toda a comunidade.”

Guerrilha do Caparaó

No ano de 1966, o movimento organizado 95% por militares e marinheiros de diversas patentes – expulsos das corporações por se oporem à política ditatorial imposta pelo governo – chegou ao município de Iúna.

Os guerrilheiros, que vinham de trem até Manhumirim, entravam no território capixaba depois de uma caminhada de 40 km a 50 km, e foi no no distrito de São João do Príncipe, no município de Iúna, que eles fizeram o primeiro alojamento do grupo, na localidade que eles denominaram Sítio dos Cabritos.

Últimos guerrilheiros no dia da prisão em 1º de abril de 1967

A frente da guerrilha na Serra do Caparaó era formada por, aproximadamente, 20 homens apoiados por mais de 120 pessoas, na base urbana que davam os suportes necessários. O movimento resistiu até o dia 01 de abril de 1967, quando foi preso o último grupo remanescente que estava na Serra do Caparaó, após ataques ao Sítio dos Cabritos.

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