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Mariana de Souza odiava comentários sobre o cabelo. Foto: Acervo pessoal

Frases que não se deve dizer para um paciente de câncer

Receber o diagnóstico de câncer não é uma notícia fácil. E ter forças para lutar contra a doença e fazer o tratamento mais indicado para cada tipo de caso é o que mais buscam as pessoas neste momento. Ao longo do processo, o apoio da família e amigos é fundamental, mas muitas vezes frases, perguntas ou comentários grosseiros e sem noção podem abalar ainda mais a autoestima de quem já está enfrentando uma dura batalha.

A analista administrativo Mariana de Souza, 37 anos; a assistente jurídico Edijanira Zuliane Campos, 45; e a recreadora Larrubia Coimbra, 61; tiveram em comum a luta contra o câncer de mama. As três trataram a doença com sucesso no Instituto de Radioterapia Vitória (IRV). Elas contam que alguns comentários e até olhares de pena de algumas pessoas as incomodavam bastante ao longo do tratamento.

Apelido constrangedor

Mariana, moradora de Vitória, disse que quando os cabelos dela voltaram a crescer, um colega de trabalho deu a ela um apelido que a deixou muito chateada.

“Essa pessoa, por achar que tivesse intimidade, me chamava de Nega Maluca. Na época, meus cabelos estavam começando a crescer, enrolados. Como sempre encontrava com ele por trabalhar na mesma empresa, ele sempre falava assim”, contou Mariana.

Outra frase que a deixava irritada era: “Calma, cabelo cresce!” Sobre o assunto, Mariana relembra um outro episódio: “Voltei para a academia de boné. Uma sem noção tirou meu boné e falou: ‘Bola para frente. Enfrenta sem o boné. Você consegue’”.

“Que dó, tão nova!”

Com Edijanira, moradora da Serra, também não foi muito diferente. Um dos comentários que ela mais odiava era: “Que dó, tão nova!”

“Outra coisa que me incomodava era a expressão do rosto. Às vezes, falam palavras de encorajamento, mas o semblante é de dó”, disse.

Edijanira Zuliane disse que as expressões de pena a deixavam chateada. Foto: Acervo pessoal

Outro comentário infeliz: “Chegaram ao absurdo de me falarem: ‘Menina, você tá bem né? Como pode? Ah, mas câncer é assim mesmo, leva a pessoa pro caixão e ela nem percebe’”.

Motorista sem noção

Larrubia, moradora de Vila Velha, disse que não chegou a ouvir muitas coisas desagradáveis, mas relembrou um momento infeliz que passou num carro de aplicativo.

“Só uma vez que peguei um carro de aplicativo e o motorista ficou olhando e disse: ‘Moça eu já fiz e meu filho também, mas nada a ver uma mulher raspar a cabeça’. Fiquei uns minutinhos em silêncio e disse: ‘Moço, eu faço tratamento de câncer’. Ele foi até meu destino me pedindo desculpas sem parar. Fiquei com pena dele, que não sabia o que dizer”, contou Larrubia.

Larrubia Coimbra contou que um motorista de aplicativo disse que não ficava bem uma mulher raspar a cabeça. Foto: Acervo pessoal

Sentimentos confusos

A radio-oncologista Lorraine Juri, do IRV, explica que o diagnóstico do câncer traz consigo uma série de sentimentos confusos e de difícil compreensão, não apenas para o paciente, mas também para os membros da família e amigos.

“O que vemos no dia a dia é que as pessoas, com a intenção de ajudar, muitas vezes acabam atrapalhando e soltando frases que para o paciente são muito ruins de ouvir. O fato é que não há uma maneira certa ou errada para se portar nessa situação. Aos poucos, paciente, amigos e familiares encontrarão a melhor forma de conversar abertamente sobre a doença. A conversa sincera é sempre um passo muito importante”, afirma a médica.

Lorraine Juri é radio-oncologista. Foto: Julia Terayama/IRV

Segundo a especialista, a queda dos cabelos afeta a autoestima e talvez seja a parte que mais incomoda durante o tratamento.

“A queda do cabelo tem um sentido diferente para cada pessoa. É importante conversar com seu médico sobre seus medos e anseios e juntos vocês farão esse período de tratamento ser um pouco mais leve”, destaca Lorraine Juri.

Sobre o IRV

Fundado em 2005, o Instituto de Radioterapia Vitória (IRV) é a única clínica privada do Espírito Santo para o tratamento de câncer por meio deste serviço. Funciona nas dependências do Vitória Apart Hospital, na Serra, com tecnologia de ponta e equipe altamente qualificada que tem como filosofia de trabalho o acolhimento dos pacientes.

O IRV tem convênio com os maiores planos de saúde do Espírito Santo, como Unimed, Samp, São Bernardo, Bradesco Saúde, MedSênior, Pasa/Vale, ArcelorMittal, Petrobras, Cassi (BB), Saúde Caixa, Banescaixa, Amil, entre outros.

O que não se deve dizer a um paciente de câncer

1) “Não fica assim, cabelo cresce!”

2) “Câncer de pele nem é câncer, é só tirar.”

3) “Que bom que você superou sua doença, né? Minha tia morreu disso daí.”

4) “Essa doença é castigo.”

5) “Nossa, você nem tem cara de doente.”

6) “Tem uma terapia alternativa…”

7) “Você não tava curada? Por que você tem que tomar isso? Pra que você precisa ir ao médico? A doença voltou?”

Fontes: ex-pacientes de câncer

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