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Celso de Mello, ministro do Supremo Tribunal Federal. Foto: Fellipe Sampaio/STF

Celso de Mello abre inquérito para investigar declarações de Moro

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello decidiu abrir inquérito para investigar as declarações feitas pelo ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, que pediu demissão do cargo na última sexta-feira (24) após a exoneração do diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, e fez acusações contra o presidente Jair Bolsonaro.

A decisão do ministro atendeu a um pedido feito pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, na semana passada.

Durante seu pronunciamento de despedida do Ministério da Justiça, Moro afirmou ter sido surpreendido com a exoneração de Valeixo, publicada como a pedido na edição do Diário Oficial da União de sexta. O ex-juiz da Operação Lava Jato disse que não assinou a demissão, muito menos que ela tenha ocorrido a pedido do delegado federal.

Moro declarou ainda que o presidente disse a ele, mais de uma vez, que gostaria de ter na Polícia Federal alguém que Bolsonaro pudesse ligar para ter acesso a relatórios de inteligência.

“O presidente me disse mais de uma vez, expressamente, que ele queria ter uma pessoa do contato pessoal dele, que ele pudesse ligar, que ele pudesse colher informações, que ele pudesse colher relatórios de inteligência, seja diretor, seja superintendente. E realmente não é o papel da Polícia Federal”, disse Moro.

Leia mais: Moro pede demissão e diz que Bolsonaro queria mexer na PF para ter acesso a relatórios

Ainda na sexta-feira, horas depois da fala de Moro, Bolsonaro fez um pronunciamento em que negou que tenha pedido para o então ministro interferir em investigações da PF.

Pedido ao STF

O procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu ao STF que seja realizada uma oitiva de Moro, que deixou o cargo apontando interferências políticas de Bolsonaro após a exoneração de Valeixo.

“A dimensão dos episódios narrados revela a declaração de Ministro de Estado de atos que revelariam a prática de ilícitos, imputando a sua prática ao Presidente da República, o que, de outra sorte, poderia caracterizar igualmente o crime de denunciação caluniosa”, aponta o procurador-geral.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) aponta no pedido a possível existência dos seguintes crimes:

• falsidade ideológica;
• coação no curso do processo – uso de violência ou ameaça contra uma pessoa em processo judicial ou administrativo, por interesse próprio;
• advocacia administrativa – promoção de interesse privado na administração pública;
• prevaricação – quando o agente público retarda ou não pratica ato • previsto em lei para satisfazer interesse pessoal;
• obstrução de justiça;
• corrupção passiva privilegiada;
• denunciação caluniosa e crimes contra a honra – calúnia, injúria e difamação.

Com informações da Agência Brasil

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