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Nelson Teich pediu demissão do Ministério da Saúde. Foto: José Dias/ABR

“Caldeirão interminável de intriga”: repercussões da saída de Teich

A queda de Nelson Teich no Ministério da Saúde, o segundo ministro a cair em menos de um mês, no meio da pandemia do novo coronavírus, causou fortes repercussões no meio político.

Os governadores de São Paulo, João Doria; e do Espírito Santo, Renato Casagrande; classificaram a situação da saúde como um barco à deriva, sem uma política nacional para lidar com a crise da saúde e seus efeitos econômicas. Doria ainda declarou, durante um pronunciamento, que Bolsonaro joga o país em um “caldeirão interminável de intrigas”.

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, disse que por falta de coordenação nacional, “governadores e prefeitos precisam conduzir a crise da pandemia”. Ele se solidarizou com Teich: “É mais um herói que se vai”.

Já o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, um forte defensor do isolamento social e que antecedeu Teich na pasta, afirmou que com a saída do oncologista do cargo de ministro, “foi um mês perdido, que jogaram fora no meio de uma epidemia”.

Confira as repercussões

“O Brasil acorda assustado com as crises diárias de agressões a democracia, ao Congresso, ao STF, a imprensa, agressões a ministros do seu próprio governo. Como senhor fez e continua fazer. Fez com Bebbiano, com Santos Cruz, com Sergio Moro , fez com Mandetta e fez agora com Nelson Teich. Presidente, governe. administre o seu país com equilíbrio, paz no coração, discernimento e grandeza. Pare com as agressões, de colocar o país em um caldeirão interminável de intriga. O país precisa estar em paz.”
João Doria (PSDB), São Paulo

“Minha solidariedade, ministro Nelson Teich. Presidente Bolsonaro, ninguém vai conseguir fazer um trabalho sério com sua interferência nos ministérios e na Polícia Federal. É por isso que governadores e prefeitos precisam conduzir a crise da pandemia e não o senhor, presidente. É mais um herói que se vai.”
Wilson Witzel (PSC), Rio de Janeiro

“A saída de mais um ministro da saúde em meio a pandemia, mostra como estamos à deriva no enfrentamento à crise por parte do governo federal. Ou o PR deixa o ministério agir, segundo as orientações da OMS ou vamos perder cada vez mais brasileiros.”
Renato Casagrande (PSB), Espírito Santo

“Tomei conhecimento do fato enquanto eu descia as escadas aqui para o primeiro andar. Como é uma informação muito superficial, eu lamento, acho que toda substituição, principalmente no caso dele, foi uma estadia curta, talvez indique que alguma coisa não foi bem conduzida, mas eu não saberia analisar neste momento.”
Romeu Zema (Novo), Minas Gerais

“Foi um mês perdido, que jogaram fora no meio de uma epidemia. Talvez ele (Bolsonaro) deva colocar lá uma pessoa que não seja médica, que não tenha muito compromisso e possa acelerar o que ele quer, porque fica difícil para um médico passar por cima de princípios básicos da ciência.”
Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde, em entrevista à Folha de S. Paulo

“O Conass manifesta sua mais alta preocupação com a instabilidade no Ministério da Saúde e na condução da grave emergência em saúde que o país atravessa. Estamos diante da maior calamidade na saúde pública, com o maior número de mortos de nossa história recente. Não é o momento de jogar mais dúvidas neste cenário, que tem infligido tanta dor, sofrimento e morte aos brasileiros. Estabilidade, unidade técnica, esforços conjuntos, ações efetivas e compromisso com a vida e com saúde da população é o que se espera dos gestores neste momento. Em todas as esferas de Governo. A instabilidade e a falta de ações coordenadas e claras, neste momento, são inimigas da saúde e da vida.”
Alberto Beltrame, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass)

“Coloque o super-man de Ministro da Saúde no Brasil e com o teto baixo deste governo ele não consegue nem ficar de pé, muito menos voar. Este governo é kriptonita pura.”
Nésio Fernandes, secretário de Estado da Saúde do Espírito Santo

“O ministro da Saúde, Nelson Teich, antes de sair dizia a amigos que estava difícil conciliar os desejos do Presidente (de uso da cloroquina e de flexibilização do isolamento). Agora, deixa o cargo. É mais um médico que não abandona a ciência e se insurge contra um Presidente que, a cada dia, nos leva para uma situação insustentável. Estamos diante de grave crise de saúde, mas mais do que isso: de uma crise política que precisa de uma resposta. O Presidente quer impor um plano catastrófico para o país! Não podemos nos calar diante de loteamento de cargos, de um militar submisso, ou de um político terraplanista e negacionista na Pasta da Saúde.”
Fabiano Contarato (Rede-ES), senador

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